Securitizar do jeito certo

brasil_economia02

O Globo

Virou moda dizer que, afora os casos que podem ser objeto de “concessões” a saída é fazer parcerias entre o governo e o setor privado

 

Não faz muito tempo que, para surpresa geral, tínhamos zerado a dívida externa pública (líquida de reservas em divisas), obtido uma boa classificação de risco das agências internacionais (algo que se perdeu depois) e parecíamos ter entrado num círculo virtuoso de inflação baixa e crescimento satisfatório. A atual sensação, contudo, é de que, passada a hecatombe dilmista, a União e a grande maioria dos Estados e municípios brasileiros acordarão basicamente quebrados, entre outros problemas.

 

Leia mais

Com Temer, devagar e sempre

rvdciDCI

 

Apesar do clima de “lua-de-mel” a que todo governo tem direito em seu início, começam a surgir na mídia visões pessimistas sobre o desempenho do governo Temer nesse seu conturbado mandato interino. O novo governo ora daria destaque ao imperioso ajuste fiscal, como ocorreu logo no seu início, ora estaria anunciando medidas claramente na contramão do ajuste, como no caso da última rodada de reajustes salariais concedidos a várias categorias de servidores, matéria que já teria sido objeto de negociação com o Congresso ainda no governo Dilma.

Leia mais

Nossa política fiscal chegou ao limite

Com 'violências', meta de ajuste fiscal é factível, afirma especialistaIsto É Dinheiro

 

Por: Cláudio Gradilone

 

Raul Velloso, economista em contas públicas ( foto: Pedro Carrilho/Folhapress) Um dos maiores especialistas em contas públicas, Raul Velloso, Ph.D em economia pela Universidade Yale, acredita que o dia do Juízo está próximo. Não o Final, mas o orçamentário. Em seu livro mais recente, “O Dia do Juízo Fiscal”, publicado em maio, ele traça um panorama tenebroso das contas brasileiras após os anos de irresponsabilidade fiscal dos governos do PT. “Batemos no muro”, escreveu ele. Segundo Velloso, a desaceleração da economia, que diminui as receitas do governo, e a dificuldade em cortar despesas, tornam improvável uma melhora do cenário antes de quatro anos. E será preciso enfrentar questões difíceis, como o déficit da Previdência, indo além de soluções cosméticas, mas alterando os parâmetros da aposentadoria. Mesmo assim, ele avalia que a escolha de uma equipe econômica comprometida com a solidez fiscal e a volta de palavras como privatização e concessões aos discursos do governo permitem supor que é possível esperar uma solução, ainda que demorada. Ele falou com a DINHEIRO:

 

DINHEIRO – Durante anos, o governo do PT gastou muito dinheiro, o que comprometeu a qualidade das contas públicas. Em seu livro mais recente, o sr. diz que chegou o dia do “juízo fiscal”. Chegou a hora de o Brasil deixar de gastar mais do que arrecada?
RAUL VELLOSO – Sim. Nós batemos no muro. Nossa política fiscal chegou ao limite, não há maneira de os gastos públicos permanecerem na trajetória em que estão. Ou reformamos o Estado, ou nossa realidade será de alta inflação e crescimento econômico baixo.

 

Leia mais