Nossa política fiscal chegou ao limite

Com 'violências', meta de ajuste fiscal é factível, afirma especialistaIsto É Dinheiro

 

Por: Cláudio Gradilone

 

Raul Velloso, economista em contas públicas ( foto: Pedro Carrilho/Folhapress) Um dos maiores especialistas em contas públicas, Raul Velloso, Ph.D em economia pela Universidade Yale, acredita que o dia do Juízo está próximo. Não o Final, mas o orçamentário. Em seu livro mais recente, “O Dia do Juízo Fiscal”, publicado em maio, ele traça um panorama tenebroso das contas brasileiras após os anos de irresponsabilidade fiscal dos governos do PT. “Batemos no muro”, escreveu ele. Segundo Velloso, a desaceleração da economia, que diminui as receitas do governo, e a dificuldade em cortar despesas, tornam improvável uma melhora do cenário antes de quatro anos. E será preciso enfrentar questões difíceis, como o déficit da Previdência, indo além de soluções cosméticas, mas alterando os parâmetros da aposentadoria. Mesmo assim, ele avalia que a escolha de uma equipe econômica comprometida com a solidez fiscal e a volta de palavras como privatização e concessões aos discursos do governo permitem supor que é possível esperar uma solução, ainda que demorada. Ele falou com a DINHEIRO:

 

DINHEIRO – Durante anos, o governo do PT gastou muito dinheiro, o que comprometeu a qualidade das contas públicas. Em seu livro mais recente, o sr. diz que chegou o dia do “juízo fiscal”. Chegou a hora de o Brasil deixar de gastar mais do que arrecada?
RAUL VELLOSO – Sim. Nós batemos no muro. Nossa política fiscal chegou ao limite, não há maneira de os gastos públicos permanecerem na trajetória em que estão. Ou reformamos o Estado, ou nossa realidade será de alta inflação e crescimento econômico baixo.

 

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