Concessões são melhor saída para destravar obras de infraestrutura no país

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Gazeta do Povo

 

Num cenário de corte de gastos públicos no governo federal e de grave crise financeira nos estados, a única opção do país para retomar os investimentos em obras de infraestrutura são as parcerias público-privadas, afirma o economista Raul Velloso, especialista em infraestrutura. Para levar adiante as concessões de rodovias, o Brasil, e o Paraná especificamente, precisa acabar com o viés anti-mercado. Velloso cita o exemplo da redução das tarifas dos pedágios no Paraná. “O sujeito acha que reduzir tarifa não vai ter impacto na qualidade do serviço. Isso é um mito”. Velloso estará em Curitiba, amanhã, participando do Fórum Plano Emergencial Para o Futuro da Infraestrutura do Brasil, realizado pela ABCR, com apoio da CCR e promovido pela Gazeta do Povo. Confira a entrevista completa com o economista:

 

Num momento de corte de gastos públicos dos governos, qual é a sua perspectiva para os investimentos em infraestrutura nos próximos anos?

 

O problema é que dependemos muito de investimento público. Com a PEC do Teto [projeto em votação no Senado para limitar os gastos públicos], os investimentos correm o risco de ser zerados. A PEC estabelece um limite para o gasto total do governo igual à inflação. Alguns itens somados representam 85% do total desses gastos por conta de leis e regulamentações que os protegem. Esses itens vão subir mais do que a inflação. Dos 15% que sobram, 6% deveriam ir para investimentos. O risco é que vamos ter que zerar o investimento para cumprir a regra total. Pelo menos enquanto não houver um impacto de uma eventual Reforma da Previdência, se é que ela vai sair. Se antes os PACs e outros investimentos não funcionaram, agora acabou o investimento no país. Os estados estão quebrados, com raras exceções. Até eles se recuperarem para abrir alguma margem para endividamento e, aí, poderem fazer novos investimentos, vai levar muito tempo. O investimento terá de ser via concessões privadas. Não tem como fazer isso via setor público.

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Ao Rio, os leões

 

O Globo

 

oglobo-15112016Acossado por um déficit orçamentário inédito, e com apoio apenas simbólico do governo Temer, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, numa ousada operação solo, fez uma arriscada mexida no tabuleiro do xadrez político-administrativo do seu Estado. Sem a companhia dos demais estados enroscados na mesma teia de déficits expressivos (no ano que vem serão quase todos), encaminhou à Assembleia um bem concebido, mas polêmico pacote de medidas de ajuste, voltado para levantar pelo menos 70% das necessidades de fechamento das contas do Estado de 2016. O acerto do restante do buraco terá ajuda da União ou viraria atrasos expressivos de pagamentos. No centro do pacote está a elevação generalizada das contribuições dos servidores & agrave; previdência para 30%.

 

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Estender as concessões é a saída

Estadão

 
Depois de muita esperança de que a recessão estivesse nos deixando, sinais mais recentes mostram o contrário. Depois de aumentar em vários trimestres, a razão entre o gasto corrente agregado e o PIB aparentemente está estagnada. Já o investimento vem caindo há bastante tempo,  como se pode ver no gráfico que publicarei na versão ampliada deste artigo em raulvelloso.com.br  e inae.org.br, a partir de amanhã. Na comparação com o trimestre anterior, ele vem caindo mais que o PIB, desde o final de 2013, sem sinais de reversão desse processo.

 

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A urgente calibragem do ajuste

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Diante do gigantesco desequilíbrio fiscal que o País enfrenta, a estratégia de ajuste do governo Temer está calcada na aprovação PEC do Teto dos Gastos e numa ainda pouco conhecida proposta de reforma da previdência. Com o primeiro item, o objetivo era emitir, rapidamente, um forte sinal de retomada do controle do orçamento federal, depois de anos de descalabro. Mais precisamente, manter as taxas de risco-Brasil relativamente baixas, como vem ocorrendo desde o primeiro semestre, para o País aos poucos voltar à normalidade.

 

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