Falta de capital político paralisa a economia

Captura de Tela 2017-08-20 às 20.50.42O crescimento do endividamento, a incapacidade do governo de aprovar medidas no Congresso Nacional para reduzir os gastos públicos e a lenta recuperação da economia decorrem da perda de capital do governo, avalia parte do mercado. Para piorar a situação, especialistas destacam que, enquanto o Executivo não viabilizar os investimentos, por meio de concessões, os brasileiros continuarão a sofrer com o desemprego e a recuperação da geração de riquezas no país seguirá a passos lentos.

 

Na avaliação do economista Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, a frustração de receitas e a dificuldade em conter parte das despesas levou o governo a anunciar um aumento expressivo das metas de deficit primário deste ano e do próximo para R$ 159 bilhões. Entretanto, ele pondera que mais do que o cenário econômico desfavorável, o que pesou para a mudança de meta foi a fraqueza política do governo Temer. “O governo é incapaz de aprovar coisas simples como as medidas provisórias do Refis e da repatriação, além de ter sido obrigado a liberar recursos a parlamentares para evitar sua investigação na delação da JBS”, destaca.

 

Futuro comprometido

A piora no quadro de curto prazo compromete também os próximos anos, explica Jensen, na medida em que será necessário um esforço maior do próximo governo e maiores despesas com os juros da dívida pública devido ao seu crescimento acelerado. Alheios aos debates para a recuperação das contas públicas, o pedreiro Evangelista Ribeiro de Souza, 43 anos, sofre para manter as contas em dia e sustentar a mulher e os quatro filhos. O aluguel de R$ 800 só não está atrasado porque o filho mais velho, militar da Aeronáutica, fez o pagamento e ainda passou a arcar com o boleto da internet.

 

Souza migrou para o Distrito Federal (DF) há seis anos e chegou a tocar quatro obras simultaneamente. Os problemas começaram em 2015, diante da recessão. A renda de R$ 4 mil deixou de ser uma realidade. A família conta apenas com o salário da esposa, empregada doméstica, de R$ 1,1 mil. “Lazer ficou no passado. Até o carro fica parado na garagem porque a gasolina está R$ 4 por litro. Sempre visitamos nossos parentes, mas nem isso conseguimos mais”, lamenta.

 

Reduzir o desemprego que afeta 13,4 milhões de brasileiros só será possível com a retomada do crescimento, avalia o economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas. Conforme ele, não está claro se as medidas tomadas pelo governo serão suficientes para que o país volte a gerar riqueza. Velloso explica que a recuperação cíclica tende a ocorrer por meio de ações, como a redução da queda de juros. “Na recessão, não temos pressões inflacionárias”, destaca.

 

Para o especialista, o Executivo deveria concentrar esforços para viabilizar o programa de concessões, atualmente travado, para potencializar a entrada de investimentos no país. “Poderiam, por exemplo, estender o contrato da Via Dutra e viabilizar investimentos de R$ 3,5 bilhões. Com um tratamento diferenciado às concessões de 2013, abaladas pela crise, teríamos outros R$ 15 bilhões”, diz.

 

Velloso explica que a recessão foi tão forte que as receitas das concessionárias desabaram 45% e é fundamental reequilibrar os contratos. “Para gerar empregos, o mais importante é destravar as concessões”, defende.

“Lazer ficou no passado. Até o carro fica parado na garagem porque a gasolina está R$ 4 por litro”

Evangelista Ribeiro de Souza, pedreiro

“Para gerar empregos, o mais importante é destravar as concessões”

Raul Velloso, especialista em finanças públicas

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