Tirar Estados custou R$330 bilhões ao País

Segundo o parecer do relator da reforma da previdência, que vem de ser divulgado, “desidrataram” o BPC e as aposentadorias rurais, acabaram a capitalização e  a desconstitucionalização, coisas que precisariam ser mantidas. Mas o pior foi ter retirado os estados da proposta. Sem eles, a economia da reforma passará de 1,2 trilhão (União) mais 0,3 bi (Estados), para 0,9 bilhão (União) mais zero (Estados), implicando uma perda de 0,3 bilhão (União) mais 0,3 bilhão (Estados), totalizando um impacto negativo de 600 bilhões de reais!!!  E o relator — ao falar de números — falou na perda apenas da União, se esquecendo da dos estados. Dessa forma, confirmando percepções anteriores sobre o assunto, os mercados financeiros até o momento reagiram bem, pois foram acostumados pelo governo a não considerar nas suas avaliações a parte relativa aos estados. (Para eles, um impacto de 0,3 bilhão estaria de bom tamanho).
Pois é. Todos míopes. Veja que os estados projetam um déficit orçamentário total (aquele que está nos balanços oficiais) médio anual de R$ 35,2 bi. em 2019-20, algo praticamente impossível de administrar, sem acesso aos mercados financeiros — como hoje eles estão. Se já estão com R$ 100 bi de atrasados, que foram herdados dos mandatos anteriores, como vão conviver com déficits anuais de mais 35,2 bi? A introdução deles na reforma teria um impacto médio anual de R$ 33 bi., o que resolveria esse problema. Sem a reforma vai ser uma acumulação de atrasados em cima de atrasados, com a União tendo de entrar para evitar o caos financeiro, com fornecedores de áreas como saúde, segurança e educação sem receber, folhas atrasadas etc.
(Lembro que no déficit orçamentário geral o déficit previdenciário é a parte dominante, dai a importância da reforma).

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